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PODCASTS

Media Training e Comunicação Pessoal | Aurea Regina de Sá

Relatório para Ananda

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ENTREVISTA 1

– Evite manter óculos ou outras peças que não estão sendo usadas no momento da entrevista. Livre-se dos ruídos de imagem que podem chamar a atenção do telespectador e desviá-lo da sua mensagem.

– ‘Na verdade’ é um vício de linguagem pra você? Procure se ouvir para avaliar a real necessidade de usar isso. A expressão perde o efeito quando você deixa de querer responder a pergunta e opta por construir a SUA resposta, a mensagem que precisa ser dita independente da pergunta.

– Na pergunta sobre ‘grupo vulnerável’, você olha pra cima algumas vezes durante a resposta. Mantenha o olho no olho; o risco é não passar confiança.

– Índice de agressão sexual altíssimo significa o quê? Se tiver o dado, informe. O discurso muda de opinativo para informativo e passa mais credibilidade.

‘MSF queria…quer se especializar no público de menor idade’. Que bom que você corrigiu, mas prepare-se para dizer ‘de cara’ o QUER. Quem queria não quer mais, certo? A dúvida sobre o tempo do verbo aliado ao movimento ocular para cima passa insegurança.

‘agora chegou o momento de tentar se especializar nesse público’ passa a ideia de que vocês estão experimentando, mas não tem certeza de que vão conseguir. Como você também fala para o público doador, é importante não passar essa incerteza. Seja firme, direta, assuma a responsabilidade da ação e diga: ‘MSF está se especializando nesse público ou vai se especializar nesse público.’

– Troque ‘já há um bom tempo’ (isso apareceu algumas vezes) por um período mais estreito, como: há 10 anos ou há quase 15 anos. Mesmo que ‘quase’ não seja pontual é melhor que ‘há um bom tempo’. A ideia que passa é que você não sabe!

‘Na RCA, a gente tá tentando criar esse primeiro projeto.’ De novo, estão tentando. Tentar é quase sinônimo de ‘achamos que não vai dar certo, mas mesmo assim estamos tentando.’ E como eu vou doar dinheiro, se nem sei se a minha doação será bem utilizada?

ENTREVISTA 2

– Cuidado com o movimento de cabeça enquanto ouve a pergunta do repórter. Pode passar a ideia de que você está concordando com algo que depois vai responder negativamente.

– Você fez bem de ter pedido para eu repetir a pergunta. Se não ficar claro, você deve mesmo pedir a repetição da questão. Entenda por que eu disse ‘peitar’ na pergunta: eu sei que na edição minha pergunta será cortada, então usei um verbo não usual para acelerar a entrega da pergunta pra você.

– Não invista tempo desconstruindo o que a repórter perguntou. Dizer ‘MSF não é contra nem a favor’ não constroi entendimento. O trecho ‘a questão é garantir a saúde da mulher’. Depois disso você emenda com dados, cita as informações alarmantes da OMS para sustentar o discurso.

– Na pergunta que fiz sobre o investimento em conscientização para que as mulheres não ficassem gestantes, você ofereceu a resposta que constroi e não aquela que justifica. Veja:

‘Olha, o objetivo de MSF é desenvolver projetos médicos para populações onde existe um problema de saúde pública de fato.’ (você pode eliminar o ‘olha’) Nesta frase você não quis se justificar diante da minha pergunta, você ofereceu conteúdo que interessa. Perceba esse formato para usar nas outras respostas também. Seu papel, enquanto porta-voz, não é o de responder perguntas, você deve construir conteúdo.

No trecho seguinte, você voltou ao modelo que vinha praticando desde o início da entrevista:

‘É verdade que no Brasil existe o aborto ilegal e que nós poderíamos advogar para uma prática correta’. Não precisa dizer isso, Ananda. Aqui você está querendo debater comigo e isso não vale a pena porque enfatiza o que é negativo e você perde a chance de ocupar o espaço para falar o que interessa.

– Em determinado momento, você se confunde e para. Para não se perder, convém seguir pelo roteiro da construção da mensagem que interessa e não ficar tentando argumentar em cima da pergunta do repórter. Assim você cria um roteiro direto para atingir a sua meta e não fica patinando no problema. Numa entrevista gravada, você pode parar e retomar (mas, existe o risco do uso dessa confusão, em caso de veículos de imprensa maldosos). Entre na entrevista com a ideia clara sobre a mensagem que quer desenvolver.

– Depois que conversamos um pouco para estudar como seguiríamos a entrevista, você ouviu a pergunta sobre a eficácia dos programas de planejamento familiar e construiu um tratado para responder a questão. Perceba que repetiu a frase sobre ‘é importante não julgar o que levou a mulher a decidir pelo aborto’. Seja mais objetiva, mais direta. Percebo que você está preocupada em me convencer do contrário que eu pergunto elaborando um argumento baseado em conceitos bla bla bla, mas está se desviando do foco principal que é o objetivo de MSF de garantir saúde à mulher.  As reflexões que você propõem podem servir de base para o entendimento do repórter antes de gravar a entrevista, mas na hora da gravação você deve ser mais objetiva, sem se preocupar com essa profundidade. Use dados para dar sustentação ao seu discurso.

AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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