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PODCASTS

Media Training e Comunicação Pessoal | Aurea Regina de Sá

Relatório para Ionara

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ENTREVISTA 1:

– Você não respondeu minha pergunta diretamente, certo? Imagino, então, que não tenha resultados para mostrar; é isso mesmo? Você construiu bem a resposta no sentido de que falou o que a organização faz na área de conflito, mas não mostrou o que os atendidos estão ganhando com o atendimento de vocês. Fale dos benefícios do seu trabalho e não somente o que você ou a organização fazem. A resposta mais impactante é sobre o que ganham os atendidos.

– Na segunda resposta, você apresentou detalhes de como se dá o atendimento psicólogo. Essa resposta poderia ser a primeira.

– Quando eu citei que a princípio toda a rede de estrutura que você nomeou como importante para o restabelecimento de alguém nessas condições não existia, eu pensei no que o governo de lá oferece (ou não oferece). E você, sem colocar a culpa na falta, no que o governo não dá (e isso é ótimo, porque não vale aqui ficar apontando culpados) apresentou o kit que o MSF oferece. Só seria interessante mudar a palavra KIT para ‘atendimento mais completo’ e citar os recursos (você citou).

– Na pergunta sobre vontade de sair da Síria, você fala da sua experiência com os atendidos e é isso mesmo. Aqui não se trata de uma resposta com dados concretos, mas da opinião de quem viveu parte da situação. Troque ‘pessoas que vivem lá há 200 anos’ por famílias.

– Gesticulação natural, bem colocada.

– Fala muito fluída, direta, com boa velocidade e alternância de tom.

– Interação direta com a repórter: olho no olho. Só desviou o olhar quando falou da caverna, mas aqui vou imaginar que você estava ‘olhando’ dentro da caverna em que estava, como se você estivesse numa.

– Percebo que construiu respostas e não só respondeu o que foi perguntado. Mantenha a perspicácia de perceber o que pode ser inserido a mais do que foi questionado para tirar proveito da entrevista.

– Numa entrevista real você estará com a camiseta da ong, certo?

 

ENTREVISTA 2:

– No início da primeira resposta, você olhou pra cima, talvez na busca da resposta. Mantenha o olho no olho, mesmo que a pergunta seja desafiante.

– Na pergunta provocativa sobre: ‘o MSF não se preocupa que haja um crescimento nos pedidos de aborto?’, você fez a resposta completa: ‘a organização se preocupa com a morte e o sofrimento’ e apresentou as ações realizadas. A lição disso é NÃO dizer: ‘MSF não se preocupa com o crescimento dos pedidos de aborto’, porque não é estratégico falar em crescimento ou decréscimo. Não cite isso, vá por outro caminho, como realmente você fez.

Quando você diz que MSF vai diminuir o número de mortes e sofrimento seria interessante dizer quantas mulheres morrem, hoje, no mundo, todo ano, por conta do aborto inseguro. Sem os dados, o risco é parecer uma opinião sua.

– Não ouvi o barulho do estalar da língua no céu da boca (sei que você não diria isso se fosse uma entrevista real).

– Percebi o ‘na verdade’ em vários inícios de resposta. Será que virou vício de linguagem? O que me parece quando diz ‘na verdade’ é que eu falei uma inverdade e você quer rebater ou que você disse algo que não era real há pouco e agora quer consertar dizendo o que é realmente verdade.

– Na confusão com o período da gestação em que se pode fazer o aborto, refaça a fala do início. Mesmo que possa ser feita uma edição depois, você não oferece um ‘ponto de corte’ para a emenda, porque as palavras estão muito grudadas, sem respiro. Então, sem parar a entrevista, sem mudar a postura corporal, volte no início da frase e fale o que é correto.

– Cuide do não verbal do rosto para não mostrar alegria quando o assunto é trágico. Mantenha o semblante sério e comprometido mesmo que a relação com o repórter for leve. Percebi que como você se equivocou ao dizer o período da gestação, ao consertar o texto ficou sorrindo.

AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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