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PODCASTS

Media Training e Comunicação Pessoal | Aurea Regina de Sá

Relatório para Julia

BAIXE O SEU RELATÓRIO AQUI.

ENTREVISTA 1

– Em vez de ‘a gente precisa’, use: ‘Médicos Sem Fronteiras contratam pessoas que sejam formadas há mais de dois anos.’ (coloque o sujeito correto na oração)

– Na resposta sobre a dificuldade de encontrar profissionais, notei uma série de ‘enfim’ no meio da fala. Sugestão: faça uma seleção das informações que quer falar. Você não precisa dar detalhes que não fazem tanta diferença. A pergunta abre a possibilidade de chamar os profissionais que faltam (cirurgiões e anestesistas), então não precisa dizer que não há dificuldade de encontrar administradores. Se tiver dados para dizer quantas cirurgias fazem em determinado projeto, isso dá a dimensão sobre a dificuldade de encontrar profissionais desse segmento. Use a entrevista como estratégia para divulgar o que é importante para a ONG.

– Gostei muito da sua resposta sobre a questão salarial. Você destacou as vantagens de fazer um trabalho como esse e não valorizou a falta de um salário ‘ideal’. A estratégia tem que ser sempre essa, mesmo que o jornalista enfatize o ‘problema = salário baixo’, você leva a resposta para o que interessa, ou seja, a motivação para ajudar.

-A última questão sobre doações poderia ser complementada com dados: quantos países são atendidos, em que condições se encontra a população desses lugares (miséria, doença, guerra), que estrutura vocês levam (diga que chegam a montar hospitais completos). Aproveite a oportunidade para mostrar detalhes do trabalho para que isso convença mais pessoas a doar. Toda entrevista de vocês é uma oportunidade para conquistar mais doadores, não de maneira explícita, claro, mas de forma a inspirar pessoas a apostarem no trabalho e tirarem o dinheiro do bolso.

– A velocidade da fala está ótima, sem interrupções como ãhhh, uhhhhhh.

–  A gesticulação pareceu natural. Evite ficar ‘cutucando’ ou mexendo na outra mão; isso pode denotar nervosismo.

– A interação olho no olho com a repórter foi ok.

– Cuidado com comentários no final. E se fosse ao vivo? rsrsrs

ENTREVISTA 2

– Mesmo que a repórter pergunte se MSF é a favor do aborto, não entre na discussão de que se é a favor ou contra. Só responda o que importa. Leia abaixo a transcrição do início da sua resposta.

‘Médicos sem Fronteiras não é a favor do aborto. A intervenção que a gente faz é no quesito médico. A gente tem a preocupação de ter alguma consequência em conta de existir muita intervenção de interrupção de gravidez de uma maneira insegura.’

Perceba que a frase ficou um pouco confusa.

Sugiro outro formato:

‘A intervenção de Médicos sem Fronteiras tem o objetivo de reduzir as complicações por conta de abortos inseguros. Segundo a Organização Mundial de Saúde todo ano, no mundo,  25 milhões de mulheres tem complicações por conta de procedimentos inseguros para interrupção de gravidez. O que nós fazemos é acolher essa mulher que está decidida a fazer um aborto ou até já iniciou um processo por conta própria, de forma insegura, e cuidar dela para que ela não sofra complicações que possam levar a morte.’

Sempre insira os dados oficiais que dão sustentação ao seu discurso. Priorize os benefícios para a mulher e evite entrar na discussão sobre o posicionamento da ong, seja contra ou favor.
– Na pergunta sobre a possibilidade de aumento do número de abortos por conta do trabalho de MSF, elimine a primeira parte em que você quer responder a minha questão e diga só o que interessa. Veja abaixo: (a parte válida e a única que deve ser dita é o que está marcada em negrito)

‘Não, porque uh, ah, apesar de existir a possibilidade de fazer essa intervenção da interrupção segura da gravidez, existe todo um trabalho de conscientização dessa mulher, tem um trabalho psicológico para ver realmente como é que ela tá levando essa gravidez …..’

Você pode dizer isso dessa forma: ‘Médicos sem Fronteiras faz um trabalho de conscientização…….e continue com o restante’. Ou seja, coloque o sujeito da oração, sem dizer ‘A GENTE FAZ’, mas ‘MÉDICOS SEM FRONTEIRAS FAZ’ (Vocês usam o verbo no singular depois no nome da Ong, né?)

– No meio da resposta você sorri, quando troca risco de morte por risco de vida. Quando houver esse tipo de tropeço, procure não sorrir. Pode dar a ideia de que você está zombando com as pessoas. Não faça a correção em cima da frase, volte um pouco. Veja abaixo:

Essa é a frase que você disse:

‘Se a gente avaliar que realmente existe o risco e ela pode naquele contexto, naquele país procurar um outro meio que tenha um risco de vida &%[email protected]#! risco de morte pra essa mulher…..’

Você pode fazer a correção assim:
‘Se a gente avaliar que realmente existe o risco e ela pode naquele contexto, naquele país procurar um outro meio que tenha um risco de vida (pausa curta). Se a gente avaliar que realmente existe o risco e ela pode naquele contexto, naquele país procurar um outro meio que tenha um risco de morte pra essa mulher…..’  OU ENTÃO: diga perdão, risco de morte e siga sem destacar que errou.

Percebe? Você troca a expressão e retoma do começo da frase como se já estivesse editando a própria fala e sem sorrir.

– Na questão em que eu trago a oposição da igreja e de outros setores da sociedade, novamente você tenta se justificar no início. Esqueça essa preocupação. O seu movimento deve ser o de ouvir a pergunta e escolher a mensagem que deve ficar na cabeça das pessoas. Então, nesse caso, você poderia dizer:

‘O importante é destacar que a mulher que hoje busca um aborto, porque foi vítima de estupro durante uma guerra, por exemplo, pode ser mãe de outras crianças e ela quer continuar viva para cuidar da família….’ (você só falou em violência sexual no final da entrevista. A impressão que pode ficar é que o aborto vai ser feito, porque é bacana e por respeito à decisão da mulher que decide fazer o que deseja com o próprio corpo. Entendo que as suas mensagens devem ser elaboradas no sentido de dar a verdadeira dimensão do problema para o telespectador, leitor, ouvinte. )

– Quase no final da entrevista, eu falo dos programas de planejamento familiar. Minha sugestão é: traga isso antes que o repórter pergunta. Se a entrevista terminar e o repórter não perguntar, você perderá a chance de dizer o que é importante. Conduza a entrevista, destaque os pontos importantes sem esperar ser questionada. Pense em como sua mensagem vai impactar na cabeça de quem ouve você.

– Sobre a vestimenta, procure usar camisas que cubram o braço.

AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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