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PODCASTS

Media Training e Comunicação Pessoal | Aurea Regina de Sá

Relatório para Paulo

 

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ENTREVISTA 1:

– Mantenha os pés fixos no lugar, sem se mexer. Somente gesticule. Em várias respostas, você iniciou com um movimento pendular com o corpo que parecia buscar outro lugar. Isso pode passar a ideia de nervosismo.

– Você tem dados específicos sobre a desnutrição? Se não tiver números absolutos, daria pra dizer: ‘a cada 5 crianças, 3 estavam desnutridas quando chegamos aqui.’

– Na pergunta sobre imprevistos, percebo que você enfatizou que ‘não dá pra prever’ e ‘pode acontecer algo que não tenhamos previsto antes e não tem como evitar’. Ressalte somente o esforço feito para o planejamento e diga uma vez só que imprevistos acontecem, mas que mesmo assim, a equipe está preparada para situações emergenciais. Não deixe brecha para ninguém pensar que vocês podem não dar conta do recado. LEMBRE-SE: a comunicação é estratégica e nesses casos expor demais os detalhes pode ser prejudicial.

– Ao contar sobre o paciente que teve uma melhora muito grande depois do atendimento de vocês, emende com a conclusão de que ‘é uma satisfação muito grande para os profissionais da equipe de Médicos Sem Fronteiras alcançar um resultado desses, que é bem comum e é realmente esse é o objetivo da nossa organização’. Ou seja, não só relate o fato, mas ajude o telespectador a perceber o efeito do trabalho de vocês. (Você fez isso depois que eu perguntei. Minha sugestão é que você diga sem ser questionado).

– Evite o ‘eu acho’. Só diga o que está além desse início.

ENTREVISTA 2:

– Quando você responde: ‘eu acredito que sim’ ou ‘eu acredito que não’, está complementando a minha pergunta. Pensando na edição, em que a pergunta pode não entrar no ar, vai ficar estranho sua resposta começar dizendo ‘eu acredito que não’.

– Evite se justificar. Nessa primeira resposta, você iniciou dizendo o que vocês não fazem para só depois dizer o que fazem e por que fazem. Os dados sobre mortes são o argumento mais forte para apresentar as razões pelas quais vocês defendem o aborto seguro.

– Quando errar a informação, volte um pouquinho mais para refazer a fala.
O que você disse:
‘- O que nós fazemos é evitar as consequências desse aborto inseguro. São 5 milhões de mortes (engolida)…desculpe, são 50 milhões de mortes e 5 milhões de complicações devidas, justamente, a esse aborto inseguro’.

Para deixar a sua fala bem clara, você pode dizer:
‘- O que nós fazemos é evitar as consequências desse aborto inseguro. São 5 milhões de mortes. (aqui você pensa que errou e refaz do início) O que nós fazemos é evitar as consequências desse aborto inseguro. São 50 milhões de mortes…….’

Perceba que você voltou a frase toda para que ela fosse refeita completamente.
– Sugiro localizar melhor os números: esses dados são anuais? No mundo todo? Ou nos países (quantos) que a MSF atende?

– Na pergunta sobre o investimento em educação, sugiro começar com a resposta completa. Em vez de dizer: ‘isso já é feito, os projetos já tem esse componente’, sugiro dizer: ‘os projetos de Médicos sem Fronteiras investem fortemente na educação, conscientização e formação de mulheres sobre bla bla bla’. Diga a frase como se não tivesse havido uma pergunta antes, assim você insere o sujeito da ação, que a organização.

– Quando você diz que vocês tentam diminuir o risco pra ela, seria interessante detalhar esse risco. Sei que parece óbvio, mas as precisam ouvir para entender claramente.

– O ‘olha’ me pareceu ser um vício de linguagem, porque abriu quase todas as respostas.

–  Quando pergunto sobre chances de abortar de novo, você diz que não há dados, ok. Em vez de terminar a resposta sem resposta, leve seu discurso para outro lugar. Em vez de: ‘é difícil falar’, diga: ‘não temos dados sobre novos abortos depois do primeiro. O importante é ressaltar que a mulher que faz um aborto inseguro pode ter complicações como x, y, z. Procure não só responder as perguntas, mas incluir conteúdo que interessa à organização e assim você conduzirá a entrevista.

– A palavra COMPLICAÇÃO foi usada de forma muito genérica. Entendo que o leigo não sabe o que significa isso e precisa de exemplos para compreender. O que são essas complicações, Paulo? Seja mais específico.

– Quando refizemos a pergunta sobre ‘as chances de fazer um novo aborto’, você usou; ‘ela provavelmente vai receber métodos para evitar a gestação’. Aqui eu tive dúvida: MSF vai oferecer as recomendações ou não? Também diga que muitas foram estupradas em campos de refugiados, outras não tem acesso a informações sobre planejamento familiar e outras vivem na miséria. Construa o cenário para o telespectador entender de quem você está falando, senão existe o risco de criarem rótulos e não compreenderem a missão de vocês.

– Na resposta em que você diz: ’25 milhões mulheres vão fazer o aborto, 5 milhões vão morrer e etc’, seria importante completar: ‘esses são os dados que temos nos x países em que atuamos’. Senão parece que você está dizendo tudo isso da sua cabeça.

– Com relação à camiseta do Iron Maiden, você já sabe…rsrs..

 

AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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