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PODCASTS

Media Training e Comunicação Pessoal | Aurea Regina de Sá

Relatório para Renata

 

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ENTREVISTA 1:

1- Ao ouvir minha pergunta, você tinha um semblante um pouco alegre para um assunto não tão alegre assim. Mantenha a expressão facial mais neutra para não oferecer dupla interpretação naquilo que comunica.
2- Você usou a forma completa de responder. Veja:
Repórter: Por que a organização MSF está envolvida com esse tema?
Você: MSF está envolvida nesse tempo, porque nós tratamos…..
A fala organizada desta forma promove entendimento mais claro e auxilia na edição. Não interprete sua resposta como uma continuidade da pergunta. Não é. Responda como se o repórter não estivesse ali.
3-No trecho ‘os números são negligenciados, a doença é negligenciada’, você estava sorrindo. Evite isso!
4-Em alguns momentos, ficou ‘rodeando’ o anel ou aliança no dedo. Isso pode mostrar nervosismo. Use a expressividade corporal, gesticule, mas solte os braços. Evite os braços presos (neste caso, uma mão prendia a outra com esse movimento repetitivo) e varie os gestos naturalmente.
5. Você responde: ‘na verdade o que a gente quer é trazer a doença de Chagas para a pauta….’ parece que você está contrariando o que a repórter disso. Não que haja algum problema em me contradizer, o ponto é que você não precisa investir tempo fazendo isso. Fale sempre e apenas o que interessa. O mais certo seria dizer: ‘Médicos Sem Fronteiras quer trazer a doença de Chagas pra pauta….’. Lembre-se: a pergunta da repórter pode não estar lá na matéria editada, então não vale a pena dizer que a jornalista não  estava certa.
6-Sua dicção é excelente e o ritmo da fala também.
7- VI-SI-BI-LI-ZAR é uma forma (infinitivo) não tão conhecida. Melhor usar ‘dar visibilidade’.
8- Quando eu pergunto se o trabalho está localizado no Norte do país, você não responde e diz o que você quer. Percebe a sua estratégia? Parabéns! É assim mesmo que deve agir: responder o que interessa à organização que você representa. Depois de falar sobre a campanha você diz que a intenção é entender como a doença age ‘na região’, mas como não citou NORTE isso ficou descontextualizado. Lembre-se: responda como se a minha pergunta não tivesse existido.
9- Na mesma resposta (já citada no item 9) você diz: ‘a nossa intenção é que esse assunto se espalhe pelo Brasil e…..’. Essa forma de falar é muiiiito melhor do que ‘colocar o tema na pauta’. O povão não sabe o que é pauta!
10- Sugiro usar uma camisa com manga para dar entrevista. Sua postura será de maior credibilidade diante do público.

ENTREVISTA 2:

1-Ao iniciar sua resposta, você dá uma volta com o olhar. Mantenha os olhos dirigidos aos olhos da repórter, especialmente se o assunto for crítico.
2-Você se manteve firme o tempo todo trocando ‘aborto’ (termo só usado por mim) por ‘interrupção da gravidez’. Realmente essa expressão é menos agressiva e casa melhor com a sua explicação. Enquanto eu quero fazer quase uma acusação e uso de julgamento, você explica que a situação é muito mais grave. Pena que interrompeu a resposta, você estava indo muito bem. Tecnicamente não tem problema parar (não recomendo, mas não posso lhe dizer que é o fim do mundo), mas se a emissora quiser usar isso contra você, vai ser difícil depois explicar que você só estava sendo crítica com você e não queria mentir ou enrolar. Por isso, imagine sempre que está ao vivo e vá em frente.
3- A terceira resposta foi muito boa de conteúdo. Você falou o número de 50 mil mulheres, falou que não é um procedimento oferecido por MSF e etc, mas a forma como explicou não foi 100%. O conteúdo é esse, agora trabalhe a forma com mais firmeza e fluidez. Cuide também pra não quebrar o quadril (fez isso pelo menos duas vezes só nessa resposta; isso pode dar a impressão de insegurança).
4-Penso ser fundamental dizer ANTES dois pontos que citou na última resposta: que o MSF respeita a legislação de cada país em que atua e que a interrupção de gravidez pode acontecer em casos de estupro ou saúde da mulher. Se você for entrevistada por alguém que use o preconceito que eu usei pra fazer as perguntas, focando somente as mulheres que não vêem problemas em abortar caso engravidem, mesmo que não tiverem sofrido estupro ou tenham risco de morte, vai ser interessante falar logo no início sobre esses aspectos para não estender a polêmica.

Lembre-se: responda sempre o que for estratégico e sem que a repórter pergunte. Tenha em mente o que deseja responder e INSIRA isso na resposta mesmo que não seja questionada.

Você domina muiiiito o conteúdo e mostra muita propriedade ao falar sobre os assuntos trabalhados nas duas entrevistas (imagino que em outras também).

 

AUREA REGINA DE SÁ

Jornalista e Coach de Comunicação, especializada em Media Training.

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